“Lésbicas são só duas amigas a experimentar coisas novas”;
“Todas as lésbicas são machonas”;
“Só és assim porque nunca nenhum homem te deu prazer a sério”.
“É só uma fase, na tua altura também fiz isso”
Estas são algumas das atrocidades, baseadas em mitos, que muitas pessoas lésbicas ouvem.
Abril não é de águas mil. Abril é de lésbicas mil. Dia 26 de Abril celebra-se o dia internacional da visibilidade lésbica. Neste artigo vais ficar a perceber:
- O que é uma pessoa lésbica?
- Palavras da gíria lésbica
- O que dizem as evidências sobre discriminação lésbica?
- Porque celebramos o Dia da Visibilidade Lésbica?
- Porque toda a sociedade ganha
- O que podes fazer para ajudar a desconstruir mitos sobre lésbicas?
- Os livros que deves ler
- Um clube lésbico que deves conhecer
O que é uma pessoa lésbica?
Esquece tudo o que já te disseram sobre lésbicas.
Apresentamos-te o nosso conceito:
“mulher, do sexo e/ou género feminino, ou que se identifique enquanto tal e que sente atração afetivo-sexual por outra ou outras.
Atração afetiva – diz respeito à atração involuntária emocional (carinho, afetos, conexão emocional) que produz emoções ou sentimentos do foro amoroso por outra ou outras mulheres.
Atração sexual – diz respeito à atração involuntária sexual (desejo de contato íntimo, de ter relações sexuais, desejo de estabelecer uma relação íntima de curto, médio ou longo prazo, de constituir família, etc.
Essa atração afetivo-sexual involuntária, acontece da mesma forma para pessoas heterossexuais (que sentem atração por pessoas de sexo ou género diferente do seu). Tal como pessoas heterossexuais não escolhem ser heterossexuais, nem precisam de ter nenhuma relação amorosa ou sexual com outra pessoa de sexo ou género diferente do seu, assim acontece com mulheres homossexuais (lésbicas).
Aquilo que vai dizer se a pessoa é ou não lésbica, não é a frequência com que a atração ocorre, mas sim a autodeterminação.
Muitas pessoas lésbicas recebem comentários homofóbicos, seja na rua ou no seu local de trabalho, devido à sua orientação afetivo-sexual, ou à sua forma de expressar o seu género, porque a sociedade não aceita, nem respeita, a diversidade existente.
Por exemplo, mulheres que prefiram roupas “típicas” ou consideradas masculinas, podem ser chamadas de “machonas” ou “camionas”; se cortarem o cabelo (de forma socialmente considerada masculina) podem ser interpretadas ou percebidas como homens; se o seu núcleo de amizade for sobretudo constituído por rapazes ou pessoas LGBTQI+, poderão ser associadas a uma orientação homossexual, mesmo que esse não seja o seu caso.
Tens de entender que não é a forma de vestir, de falar, de se apresentar ou de com quem te relacionas, que dita qual é a tua orientação afetivo-sexual.
Palavras específicas da gíria lésbica
- A amiga
- Camiona
- Colega de Casa
- Do vale
- Joga na minha/tua equipa
- Fufa
- Lebre
- Lé-lé
- Prima
- Sapatão
Estas são algumas palavras usadas tanto por pessoas lésbicas, como por pessoas não lésbicas para se referirem a estas. Algumas pessoas podem não se identificar ou considerar que alguns destes termos são negativos ou pejorativos, outras podem aceitá-los e usá-los especificamente entre grupos LGBTQIAP+.
O que define, ou não, se o termo é pejorativo ou aceite, varia de pessoa para pessoa e da intenção ou contexto em que é verbalizado. Por isso, atenção para não usares palavras que possam direta, ou indiretamente, violentar ou agredir as identidades das pessoas lésbicas.
O que dizem as evidências sobre discriminação lésbica?
O que dizem as evidências científicas sobre a discriminação sofrida por pessoas lésbicas?
Será que são tão livres para expressar quem são e de quem gostam, quanto mulheres heterossexuais?
Para que um dia se atinja a igualdade de direitos e a plena liberdade do direito a existir, os números que te apresentamos têm de continuar a descer. Repara na percentagem de mulheres lésbicas que sofre a não aceitação ou rejeição da sua identidade e orientação por parte da sociedade:
- 41% tem receio de andar de mãos dadas na rua com a sua parceira;
- 33% evita certos lugares por receio de sofrer violência;
- 35% não revela que é lésbica ou que sente atração por mulheres;
- e no local de trabalho, cerca de 58% apenas escolhem (seletivamente) revelar a sua orientação para algumas pessoas em quem confiam.
Tudo por receio de sofrer discriminação, violência, assédio ou outras ameaças à sua integridade física ou emocional. Isto traz graves consequências para a saúde mental, emocional e física destas mulheres. E no local de trabalho, essas consequências podem traduzir-se em:
- fraca produtividade
- insatisfação com o trabalho
- perda de direitos laborais por demissão voluntária
- fuga de talento
- incapacidade de se ser genuinamente quem se é
Se tens curiosidade, estes dados e muito mais podem ser encontrados no estudo feito pela Agência Europeia para os Direitos Fundamentais.
Porque celebramos o Dia Internacional da Visibilidade Lésbica?
O Dia Internacional da Visibilidade Lésbica é um dia onde as mulheres que se identificam como lésbicas, bem como pessoas de outras identidades e orientações promovem ações de sensibilização para dar visibilidade às vozes dessas.
É importante que pessoas lésbicas sejam visíveis na sociedade, no trabalho, na escola, na política, na vida em sociedade, de forma a mostrar a representatividade possível dessa diversidade. É importante que se descontruam estereótipos e mitos associados às pessoas lésbicas para que possamos viver numa sociedade mais respeitadora, inclusiva e livre de desigualdades.
É um dia para celebrar os direitos conquistados pelas mulheres lésbicas, bem como para reivindicar direitos ou assuntos que ainda continuam a colocá-las em desvantagem na sociedade, face às suas semelhantes mulheres heterossexuais.
É um dia que pretende aumentar a consciencialização da normalização da diversidade sexual, neste caso, para a normalização da homossexualidade lésbica.
Porque toda a sociedade ganha?
Porque continuar a violentar pessoas lésbicas é continuar a contribuir para os principais problemas que toda a sociedade tenta combater:
- fracos níveis de escolaridade, educação e de acesso a oportunidades
- fracos níveis de saúde e bem-estar
- situações de gravidezes forçadas e indesejadas
- situações de sem abrigo
- tráfico de mulheres
- exploração sexual
Se não queres que estes e outros problemas que toda a sociedade vive continuem, está na hora de começares a respeitar a incluir a diversidade sexual e de género. Toda a sociedade ganha com isso.
Se não viste o vídeo sobre “O preço da exclusão” que colocamos no artigo sobre a visibilidade trans, volta a vê-lo agora.
Ver o vídeo “O preço da exclusão” da ONU
O que podes fazer para ajudar a dar visibilidade positiva às identidades lésbicas?
- Educa-te sobre as experiências, vivências e direitos de pessoas lésbicas;
- Tem tolerância zero com estereótipos de género, piadinhas ou mitos sobre mulheres lésbicas;
- Respeita a privacidade e intimidade de pessoas lésbicas. Se não perguntas a outras pessoas heterossexuais como é que têm relações (ou “como é que o fazem”) não tens de o fazer com pessoas lésbicas.
- Reporta e denuncia qualquer situação que possa constituir assédio ou violência contra mulheres lésbicas.
- Não assumas que todas as mulheres que conheces, independentemente da sua forma de se apresentar, são heterossexuais ou têm um companheiro.
- Desconstrói mitos associados à orientação afetivo-sexual e identidade de género.
- Celebra o dia da visibilidade lésbica no dia 26 de Abril e contribui conforme podes para apoiar a causa;
Os livros que deves ler
Se tens interesse em saber abordar o tema da Procriação Medicamente Assistida a crianças, para que entendam como foram concebidas, este livro infantil pode trazer-te a sedução e encantamento que precisavas para o fazer. De forma simples, o livro de nome A Ervilha Congelada de Márcia Lima Soares e Joana Sesta, conta a “história de três pequenas vidas que, magicamente e com muito amor, começaram num laboratório. Tens no formato livro físico e ainda ebook.
Saber mais sobre “A Ervilha Congelada”
Se tens interesse por um livro mais histórico e que te conte como foi a homossexualidade feminina em Portugal, através de documentos do Tribunal da Inquisição e da legislação civil da época, recomendamos que espreites o livro “Filhas de Safo”, de Paulo Drummond Braga.
Saber mais sobre “Filhas de Safo”
Um clube lésbico que deves conhecer
Se a temática lésbica te interessa, ou se te consideras uma pessoas lésbica, sabe mais sobre o Clube Safo, um clube que nasceu em janeiro de 1996, em Aveiro. Surgiu da necessidade da criação de um espaço de diálogo, partilha e reivindicação, delas para elas.
Recentemente lançaram um produto informativo de acesso gratuito a todas as pessoas, intitulado “Lés+Saúde”. O projeto conta com informação na área da Sexualidade, Maternidade e Acesso à Saúde, financiado pela CIG.
No mês de Abril liga-te a eventos que o Clube Safo possa ter preparado para ti, presenciais ou online, e celebra, dia 26 de Abril, o Dia Internacional da Visibilidade Lésbica.
Referências:
UN Free & Equal | Stand in solidarity with #ALLwomen (unfe.org)
Direitos das pessoas LGBTI na Europa | European Youth Portal


