Recentemente, a OutRight International lançou um relatório pioneiro sobre pessoas LGBTQI e eleições, para o qual a TransParente contribuiu.
No relatório, podes explorar como as pessoas e temas LGBTIQ foram abordados e descobrir o que isso pode significar para o futuro das pessoas LGBTIQ em diversos países, incluindo Portugal.
Para ser mais fácil, fizemos um resumo:
1. Contexto eleitoral
- Portugal realizou eleições legislativas antecipadas a 10 de março de 2024
- A coligação de centro‑direita Aliança Democrática (AD) – coligação entre PSD e CDS-PP – venceu
- Houve pessoas candidatas assumidamente LGBTQI, como por exemplo, a deputada Júlia Pereira, mulher trans, tendo a mesma sido alvo de discursos de ódio online
- As questões LGBTQI foram usadas negativamente por alguns partidos de extrema-direita (CHEGA) e direta (CDS-PP)
2. Envolvimento político com temas LGBTQI
- Ativistas LGBTIQ mapearam pessoas candidatas que tinham apoiado direitos LGBTIQ no passado.
- Apenas quatro partidos apresentaram programas eleitorais abrangentes sobre direitos LGBTIQ (saúde, educação, habitação, emprego).
- A AD não incluiu propostas explícitas sobre LGBTIQ, apesar de mencionar igualdade de género.
- Líderes de esquerda alertaram para o aumento da retórica anti‑género e para a adoção, por partidos tradicionais, de linguagem típica da extrema‑direita.
3. Representação LGBTIQ
- Foram eleitos/as políticos/as LGBTIQ, incluindo:
- Mariana Mortágua (BE), assumidamente lésbica, foi reeleita.
- Paulo Rangel (AD), assumidamente gay, tornou‑se Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros — um marco importante.
4. Retórica anti‑LGBTIQ
- Elementos da coligação governamental fizeram declarações hostis:
- O Ministro da Defesa criticou conteúdos LGBTIQ nas escolas e na RTP.
- Um dirigente do PPM foi acusado de comentários sexistas e de justificar violência contra mulheres.
- O Primeiro‑Ministro Luís Montenegro distanciou‑se dessas posições na altura, mas tem um histórico controverso:
- Em 2004 assinou um documento que associava orientação sexual a abuso infantil.
- Em 2014 defendeu um referendo sobre adoção por casais do mesmo sexo.
Agora em 2026, o partido de Luís Montenegro, PSD, votou em bloco na aprovação dos três projetos de lei anti-trans que procuram:
- revogar medidas trans-afirmativas nas escolas.
- retroceder o reconhecimento legal de género com base na autodeterminação,
- proibir o acesso de menores a cuidados de afirmação de género,
- permitir intervenções médicas não consensuais em crianças intersexo e
- revogar medidas trans-afirmativas nas escolas.
5. Ascensão da extrema‑direita (CHEGA)
- O CHEGA quadruplicou a sua representação para 50 deputados em 2024, algo sveraente preocupante.
- A campanha e programa eleitoral incluíram:
- Ataques à chamada “ideologia de género” – que não existe e foi criada para confundir as pessoas.
- Defesa da “família tradicional” – o que implica a rejeição de todas as formas de família não heterossexuais
- Propostas para obrigar pessoas trans a usar casas de banho segundo o sexo atribuído à nascença – tendo inclusive lançado o pânico moral sobre “casas de banho mistas” – que nunca existiram.
- Acusações de que a educação para a cidadania “impõe ideologia de género” – sabe mais sobre o que realmente são os conteúdos de educação sexual nas escolas.
- Proposta de cortar financiamento público a organizações que promovem igualdade de género, alegando valores inflacionados e sem base factual.
6. Crise política e novas eleições em 2025
- Montenegro enfrentou uma moção de censura devido a alegados conflitos de interesse.
- Foram convocadas novas eleições em maio de 2025.
- Montenegro manteve-se o Primeiro‑Ministro, mas o Chega cresceu ainda mais, tornando‑se o segundo maior partido, ultrapassando o PS.
Infelizmente, cada vez mais se tem assistido ao uso dos direitos humanos das minorias para ganho político por parte de partidos de direita e extrema-direita.
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