Como são as pessoas e temas LGBTQI+ abordados em periodo de eleições em Portugal?

temas LGBTQI nas eleições em Portugal

Recentemente, a OutRight International lançou um relatório pioneiro sobre pessoas LGBTQI e eleições, para o qual a TransParente contribuiu.

No relatório, podes explorar como as pessoas e temas LGBTIQ foram abordados e descobrir o que isso pode significar para o futuro das pessoas LGBTIQ em diversos países, incluindo Portugal.

Para ser mais fácil, fizemos um resumo:

  • Portugal realizou eleições legislativas antecipadas a 10 de março de 2024
  • A coligação de centro‑direita Aliança Democrática (AD) – coligação entre PSD e CDS-PP – venceu
  • Houve pessoas candidatas assumidamente LGBTQI, como por exemplo, a deputada Júlia Pereira, mulher trans, tendo a mesma sido alvo de discursos de ódio online
  • As questões LGBTQI foram usadas negativamente por alguns partidos de extrema-direita (CHEGA) e direta (CDS-PP)
  • Foram eleitos/as políticos/as LGBTIQ, incluindo:
    • Mariana Mortágua (BE), assumidamente lésbica, foi reeleita.
    • Paulo Rangel (AD), assumidamente gay, tornou‑se Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros — um marco importante.
  • Elementos da coligação governamental fizeram declarações hostis:
    • O Ministro da Defesa criticou conteúdos LGBTIQ nas escolas e na RTP.
    • Um dirigente do PPM foi acusado de comentários sexistas e de justificar violência contra mulheres.
  • O Primeiro‑Ministro Luís Montenegro distanciou‑se dessas posições na altura, mas tem um histórico controverso:

Agora em 2026, o partido de Luís Montenegro, PSD, votou em bloco na aprovação dos três projetos de lei anti-trans que procuram:

  • revogar medidas trans-afirmativas nas escolas.
  • retroceder o reconhecimento legal de género com base na autodeterminação,
  • proibir o acesso de menores a cuidados de afirmação de género,
  • permitir intervenções médicas não consensuais em crianças intersexo e
  • revogar medidas trans-afirmativas nas escolas.
  • O CHEGA quadruplicou a sua representação para 50 deputados em 2024, algo sveraente preocupante.
  • A campanha e programa eleitoral incluíram:
    • Ataques à chamada “ideologia de género” – que não existe e foi criada para confundir as pessoas.
    • Defesa da “família tradicional” – o que implica a rejeição de todas as formas de família não heterossexuais
    • Propostas para obrigar pessoas trans a usar casas de banho segundo o sexo atribuído à nascença – tendo inclusive lançado o pânico moral sobre “casas de banho mistas” – que nunca existiram.
    • Acusações de que a educação para a cidadania “impõe ideologia de género” – sabe mais sobre o que realmente são os conteúdos de educação sexual nas escolas.
    • Proposta de cortar financiamento público a organizações que promovem igualdade de género, alegando valores inflacionados e sem base factual.
  • Montenegro enfrentou uma moção de censura devido a alegados conflitos de interesse.
  • Foram convocadas novas eleições em maio de 2025.
  • Montenegro manteve-se o Primeiro‑Ministro, mas o Chega cresceu ainda mais, tornando‑se o segundo maior partido, ultrapassando o PS.

Infelizmente, cada vez mais se tem assistido ao uso dos direitos humanos das minorias para ganho político por parte de partidos de direita e extrema-direita.

Todo o teu apoio às associações LGBTI e a projetos que protejam oas direitos de todas as pessoas é essencial.


Sabias que ao subscreveres à Plataforma TransParente, doamos 1€ por cada subscrição apoio e 10€ por cada pessoa que faz parte da comunidade?

Considera apoiar ou fazer parte da nossa comunidade.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Partilhar

Explorar mais